11 de setembro de 2008

PROgramação CultURAL em Aracaju

Saudações!!!

Repassando informações culturais...

pra esse fim de semana e início da outra:


CINEMA



no CINE CULT,

CONTINUANDO A MOSTRA DE CINEMA FRANCÊS

O PEQUENO TENENTE na sessão das 17h20

&

DE VÍBORA EM PUNHO na sessão das 15h00

de 12 a 18.09.2008

no CINEMARK

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SÁBADO, 13.09

OPA OPA OOOPA!!!...

SHOW TRANSFERIDO PARA O DIA 27.09... ATÉ LÁ!!!

MÚSICA


Misturado

Naurêa
+
Cabedal
+
A bANDA dos Corações Partidos & DJ Patrick Tor4


no capitão Cook, (próximo ao farol da Coroa do Meio).

A partir das 22h00



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+ MÚSICA

do PROGRAMA DE ROCK

ÉDRA ROCK FESTIVAL

INSECTSIDE: Hard-core

FORTE PARADOXO: Alternativo

SNAKE OF BOOT: Hard Glam rock

TCHANDALA: Heavy Metal

SHEKINAH: Metal

MAUA: Metal

IMPACT: Thrash/Death

LOCAL: ÉDRA BAR ( ORLA DE ATALAIA, AV: Santos Dummont, 128, proxímo aos arcos no sentido PASSARELA DOS CARANGUEIJO)

DATA: 13 DE SETEMBRO, SÁBADO ÁS 22:00 HS

ENTRADA: 1KG DE ALIMENTO NÃO PERECÍVEL

APOIO: Missão Shekinah, 105PUROROCK, RICARDO ( o Gringo SURF)

INFORMAÇÕES: 79 8816-0222 ( Felipe freire)

SEGUNDO ALTERNATIVO ROCK

CANINDÉ DO SÃO FRANCISCO

SERGIPE

Dia 14 de setembro

A partir das 14:00

Clube Altemar Dutra

3,00 R$

Com as bandas:

CESSAR FOGO

MISANTROPIA

MONSTROMORGUE

METAL WIZZARD

HATEND

CXDXFX

URUBLUES




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TEATRO
Geraldas e Avencas

No sábado 13 e no domingo 14, o Grupo de Dança 1º Ato, de Belo Horizonte, apresenta no Teatro Tobias Barreto Geraldas e Avencas. A concepção, coreografia e direção trazem a assinatura de Suely Machado. Já a trilha sonora foi composta por Zeca Baleiro.

O espetáculo questiona o conceito do belo e como homens e mulheres se submetem a excessos para se enquadrar em padrões convencionais de beleza. "Queremos instigar uma reflexão sobre esta padronização que estamos vivendo. Mostrar a possibilidade de um outro belo, que pode vir através de marcas e traços pessoais, o que de fato nos diferencia uns dos outros.", diz Suely Machado.

GERALDAS E AVENCAS

e 14 (sáb. e dom.)

às 21h (sáb.) e 20h (dom.)

no Teatro Tobias Barreto – (79) 3179 1490
R$ 20,00 e R$ 10,00 (meia)

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VÍDEO


Este sábado: CineVeggie!

- No Polo de Assessoria (Rua Reginaldo Passos Pina, 509 - Pq. dos Coquiros, Inácio Barbosa)
- A partir das 19:00 hs
- Rango e Filme por R$ 7

Prato do dia:

VALENTIN

Vencedor do Prêmio Especial do Júri e a Menção Especial - Júri da ACCA, no Festival de Mar Del Plata.

"Um drama inocente e cheio de esperança."
"É sensível, bem humorado e, acima de tudo, verdadeiro."

1960, Buenos Aires. Valentin (Rodrigo Noya) é um menino de 9 anos que vive com sua avó (Carmen Maura), já que seu pai vive ocupado trabalhando e sua mãe está desaparecida desde a separação de seu pai. Solitário, Valentin divide seu tempo sonhando se tornar um astronauta e ouvindo as histórias contadas por sua avó. Seu grande sonho é que seu pai o leve para conhecer sua mãe, mas ele se irrita só de ouvir a simples menção do nome dela. Valentin passa a acreditar que possa ter enfim uma mãe quando conhece Leticia (Julieta Cardinali), a mais nova namorada de seu pai.

Baseado na vida do diretor argentino Alejandro Agresti, o filme mostra uma criança precoce de 8 anos, que mora com a avó e cujo pai fala sobre suas namoradas.

É um mistério por que este excelente argentino "Valentin" foi mal nos cinemas brasileiros e custou tanto a sair em DVD. Ainda é preciso falar que o diretor Alejandro Agresti, que aqui faz também o papel do padre, realizou também grandes fitas como "Uma Noite com Sabrina Love" e "O Vento Levou o que".

O roteiro, autobiográfico, é assinado por Agresti, que relata de forma encantadora, nostálgica, romântica e bem humorada os problemas de um garoto de 8 anos chamado Valentin, que vive num bairro modesto de Buenos Aires, criado por sua avó (a espanhola Carmen Maura).

Descrito como a celebração da inocência infantil, o filme mostra as dificuldades da criança com as pessoas do bairro, com seu primeiro e impossível amor e com o pai, todos mostrados de forma humana e simpática.

"Valentin" é um daqueles raros filmes adoráveis que farão você se apaixonar.

Título original: Valentin (Espanha/Argentina, 2002)
Diretor: Alejandro Agresti
Gênero: Drama/ Comédia
Duração: 83 min.
Site Oficial e MAIS DADOS: www.miramax.com/valentin


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atualizações em breve...


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POESIA

sobre a obra abaixo


... nunca publicada, do poeta italiano Paco Bernardo, ícone marginal da cultura "andarilha" da década de 1960. Poeta, romancista, dramaturgo, fotógrafo, cineasta e filósofo, Paco Bernardo permanece ainda hoje como artista de seu tempo e sobrevivente de um momento em que "viver e criar" foi uma motivação para existir. "A parede e o sangue dela" agrega os primeiros poemas de Paco Bernardo, escritos no final da década de 1950. Aqui percebe-se uma nítida rebeldia contra si, contra o mundo e contra as relações inter-pessoais. Trata-se, em verdade, de uma primeira fase na vasta obra de Paco Bernardo, que seria anos mais tarde desconstruída por ele mesmo, erguendo em seu lugar uma poesia de cunho mais contemplativo e sólido.


A HUMANIDADE, O HOMEM, O MUNDO E VOCÊ

I

Quando explodiram os muros
Cheios de sangue
Havia gente em cima dos muros
E os muros
Cheios de sangue
O sangue dos muros cheios de sangue
Era de quem evacuava sobre eles.

Quando explodiram os muros
Cheios de sangue veio gente
Para ver o que saia dos muros
Ou o que tanto faziam gentes
Outras gentes
Sobre os muros cheios de sangue
Repetindo versos pouco sanguinolentos
Como quem imita uma pedra.

Afirmaram sempre com tal veemência
que os muros eram a pele do mundo,
que alguns, mais vaidosos,
cravaram à unha os nomes nos olhos,
nos braços, nos cabelos.
Outros, mais sensatos,
bicavam quem ficava sobre os muros,
calças arreadas, pés tensos e imundos,
vermelhos, muito vermelhos,
manchados, absolutamente manchados
de absoluto e mancha.

Quando explodiram os muros cheios de sangue abriu-se no céu a imagem da ferida, a cicatriz da
boca atada, a veia perdida do nervo, a hibridização do elétron ou a faísca da eletricidade excitada,
cantando a elegia da página branca.


Quando explodiram os muros
cheios de sangue
então
enfim
me viram
sangrando
sangrado antes
sangrava

Eu sangrava.

Quando explodiram os muros
cheios de sangue,
afinal,
viram-me sangrando
(a pele atrás do espanto).
Sobre os joelhos balançava o pânico,
enquanto lhe tirava da garganta a permissão do canto.

Do sonho não ficou sonho. Tampouco pluralizações.
Me vê um sonho?
O sonho acabou.

Nunca quisemos mudar o mundo.
Os homens, os homens lá fora estão lá fora
Se foram ou se não foram.
Pouco menos do que isso.
Não lavo as mãos com óleo:
aliás, querendo, deixa o nariz menos oleoso,
ressequei as mãos, que tinham que ser usadas
para, afinal, pôr o sabonete no nariz.
Mas o nariz está lá, vermelho, brilhando.
E me lambuza os dedos e sujo tudo que toco.

Nunca quisemos mudar o mundo.

Os homens,
os homens,
o mundo.
Tampouco fomos mudados.
Mudamos tanto que nem chegamos a mudar.
Não notaste? Pois eu sim. Noto
em cada vento desfolhado que desflora
meu hímen há muito perdido.
Traz do mar o cheiro do sal, da pele o cheiro do mar,
e assim não se importa em caminhar.
Mas caminha, firme, sem se importar em caminhar firme
ou pensar que se pode caminhar sem ser firme.
Caminha e até caminha diferente, mas não nota. Mas muda.
Muda e não nota que muda. Tampouco pensa que o primeiro ou o segundo a
[possibilidade do terceiro – de um terceiro – é possível.

Tampouco fomos mudados.
Não, nas bolhas que vão para os cantos do copo
não, elas nunca ficam no meio: vão para o canto e se agarram ali.
Se as tira, voltam. Se as tira, estouram – estouram ou voltam.
Das duas uma.

Tampouco fomos mudados.
Apenas nos olhamos, sem palavra,
porque nunca existiram,
nos afastando pelas partes,
nos afastamos pelas pedras,
subimos muros –
mas estouraram os muros cheios de sangue.

Quando explodiram os muros cheios de sangue,
lá em cima havia duas pessoas que pareciam uma,
mas estavam tão contraditórias que pareciam duas.

Duas imagens desesperadas de dois desesperados,
e ainda não se olham. Olhavam-se calados, um dia,

um dia em que o dia era uma concepção, uma idéia,
uma possibilidade de existência que não chegou
a alguma coisa – qualquer coisa – a que alguém dissesse:
é .
Ou que apenas se vivesse, sentindo (se sentem), como
se acontecesse nisso que é meio espuma, meio pedra,
e não me parece real ou sonho.
Parece-me qualquer coisa.

Duas imagens
desesperadas
de dois olhos em agonia
ficaram no espaço,
subindo.
Subiam sofrendo, enquanto desciam
permanecendo entre as linhas do tempo
e os arranhões surdos sangrados no centro do peito.
O peito se mexia tanto.
E tremiam, gozando,
como se quebrassem a alma.

Tudo passou
mas não ficaste
e ficaste
e não passaste
mas passaste.
Em peito de ferro não se joga sal não se pinta uma janela não se balança uma
[bandeira não se pinta de branco ou se cobre do frio.
Há tanto calor que o frio aumenta.

Teus olhos
é que se espancaram,
num sussurro breve,
desejando a fome.
Sem desejo pela fome, queria carne,
terra, homens, papel e carbono.

Queria principalmente a cor verde com a azul do lado e uma
fumaça rosa
em cima das duas.

Pela ânsia avisaste antes, para que morresse depois.
Para que ocorresse depois.

Ocorreu. Mas não ocorreu nada.
E apesar do ocorrido, não ocorreu nada.

Esfolaram-te
dentro de buracos
para verem
se esculpias com o labor
qualquer atração humana.
Esfolaram-te
dentro de buracos
para verem se pela pele
saía a voz e marcava na terra
a forma do homem.

Depois te tiraram o escuro,
depois o claro. A bruma que
ficou foi fina
e puxaram-na para fora.

Não, não te excedas. Apenas
grita, que de qualquer forma
não te ouvirão a voz.
Estão tão ocupados.
Olhai! Olhai os rostos impávidos,
pálidos,
barbeados com fúria,
batidos com ironia,
amasseados com ruínas de ruas, folhas e
branda cicatriz que nem se nota

- e, não a vendo, não a têm.

Não, não te excedas. Apenas
grita, em estraçalhamento tétrico,
técnico, tácito, titubeia feito Paco.
Alternando o fogo nas águas,
cobriste as ondas com chama,
a chama com espuma,
a espuma com coisa, com vontade,
com fome, com terra, com parede,
muros e sangue, e muros cheios de sangue.

Alternando o fogo das águas, vomitando a tortura
em copos vagabundos de leite.
A dor não é tanta. E não deve se suceder o mesmo
ao tempo que não te escrevo.
Há muito, sim, que não te escrevo.
Ficaram novos todos os anúncios,
as notícias, estas que nunca disse,
afinal, não seriam ditas nunca.

A dor não é tanta. E não deve se suceder o mesmo.
Aí, aí não, apenas tempos e cruas carnes brancas:
jamais um sobressalto ou um verso, uma amostra
de cianeto, um gole de ácido sulfúrico
em garganta sulfurosa e carne queimada.
(Eu vou esquentar os ossos.
Eu vou botar os ossos para esquentar.)

As seis horas das manhãs
e as conversas
sobre sexo e as evacuações nos hotéis
dá culpa à glória, a glória,
a criança estuprada foi pendurada,
estuprada,
no ventilador do quarto africano,

no topo de uma escadaria brasileira,
enquanto nas ruas, com cheiro de degradação,
faziam churrasco. E Paris era igualmente podre.

A criança estuprada
passada
em deleite
divino e caído para lá
nunca para cá
de uma idade avançada e aberta
ao que é feliz e não avança porque não é feliz,
somente pensado e, assim pensado, é feliz.

Mas tu, tu indireto,
tu subjetivo,
tu tão ruim,
tu nunca tu,
tu que fazes?
Tu que faz nada
tu que faz tudo
tu tétrico, tu tão tétrico,
tu tanto tu e tão pouco tu,
é eu e é tu, é ele e é eu e é tu.
Tu tão tanto pouco tu.
Tu tantas vezes tu.

Não há necessidade de nada
de se fazer nada
de se entender nada
de se saber nada
de saber o nada
o porquê nada que é dito
nada e então é qualquer coisa.
E qualquer coisa.
Qualquer.
Viver ou existir já é qualquer ordem comum

e muito repetida,
sem obrigação de cumprimento;
e a morte qualquer obrigação sem necessidade de ordem.

Qualquer coisa,
uma unha ensangüentando,
a síntese do esperma,
do óvulo, da mulher que foi fertilizada
- não o amava, tampouco ele a ela,
mas lhes movia um hormônio de suor, óleo, secreção ou risco.
A síntese das cores
colorindo o vidro,
tudo em melancolia trêmula
qualquer força insana,
tensa, que goza com o toque e o vento
e o cedimento.

Girando, até que a náusea feche a dúvida
os olhos
o aberto.



SEMPRE

I

Conjugas o verbo
e calculas a probabilidade
de que não ocorra.
Com o cheiro da rua
e do jeans e do abismo
todo dia
categoricamente
cobres e descobres o mesmo caminho
a rua
fazendo o mesmo caminho
religiosamente.
Até que não mais aconteça.

Já te meteram a mão no sexo,
percorrendo com o dedo até chegar ao ânus?
Paralelos pelo calor úmido
e um sei lá de um vazio de uma existência
de um ser que não sou.

E ris-te com esse sorriso e com esses olhos.
Que eu me foda agora
Para sentir depois.

Mas bem que me deram antes e fuder-me-ão depois.

Numa rodinha caipira que vai rodando (claro, é uma roda)
e que então continua rodando como deve rodar e rodando e rodando e rodando.
E não acontece nada de tão fabuloso assim que
mereça (se é que merecer exige algo antes)
alguma coisa. Qualquer coisa.

Num carpete tem uma poça,

uma mancha escura,
molhada.
Alguma coisa derramou ali.
Abre as janelas para secar.

Nuns dentes estendidos duma gengiva
tem umas manchas vermelhas,
uns fiapos.

Numa pia suja, ensangüentada,
engordurada, tem umas manchas brancas.
Não vão sair nunca.
Só se tentares o benzeno.

Nas tuas unhas, azuladas, tem um grito.
Um grito mudo. Estancado.
E olha para o outro lado.
No teu braço um outro braço,
na tua língua uma outra língua.
Acendendo as luzes que deixam o poeta bonito,
exposto para os carros que passam
e vêem o que é exposto e é curioso.
Iluminado de dentro para fora, como
Um mimo de Natal.

No teu braço um outro braço,
na tua língua uma outra língua.
Molhando a voz, explodindo as pernas.
Nos teus pés outros pés,
no teu suor outro suor,
no teu sangue o mesmo sangue.
No teu grito outra brisa,
no teu gozo uma facada, outro tempo,
uma lição de altruístas.

Poderíamos nos contar,

enquanto lá fora tem vida,
e não é a mesma coisa amadeirada daqui de dentro,
esses barulhos de louça batendo,
essas vozes esses balões cheios de ar.
Mas se saíssemos lá fora,
e numa rua que se encontra com outra rua,
olhando a lua,
ouvindo os tiros,
sorrindo para as grades dos muros,
se tacando na ponta dos pregos,
se esfregando na hora dos desejos urinários,
dos desejos hormonais,
secretados por alguém que quer que alguém o secrete...
Tudo e não acontece nada.
Tudo e muda-se o nome,
muda-se teu peito cego,
teus quadris rancorosos.
Muda tua boca em outra boca.

Pedindo ajuda.

II

Passa álcool entre os dedos dos pés
e ferve a água para as crianças.
Não esqueças de apagar as luzes da copa:
é tarde. Não esqueças a porta do banheiro aberta:
é frio.
Mais frio do que a aqui dentro, mais tarde do que aqui dentro,
num frio tardio, numa tarde que esfria.
Então não acontece nada
e prosseguimos dentro dos nossos carros,
acendendo os faróis para não atropelar quem atravesse a rua.
Seguimos nas nossas sacadas, porque não temos sacadas.

III


Que vontade me dá de cair...
Que vontade de cair!
E no chão,
torto que nem o mundo,
não pensar em nada.

A solução é não pensar em nada!

Calma, filha.
Chega,
Cansei.

Depois, saindo,
sorria.



A PROMESSA CONCRETA

Estás vendo as promessas?
O que dizias
que
ser ia?
Não foi.
Trago tanto sentimento
mas não trouxe
(eu não trouxe)
nenhum
(sentimento)
(caminho)
(morto)
Trouxe um caminho morto que é meu não cumprimento de mim mesmo.



A LORCA

Não devias ter medo das
salamandras mortas.
As unhas te estupram,
te ferem (e trazem carne aos touros).
Majestosamente te gozam,
majestosamente te estraçalham sobre os ombros corroídos pelo sal.

As cítaras também não te
envolvem em esferas de limão
e vidros de mariposas.
Os olhos é que não se cansam
(jamais se cansam) e fitam a lua.
E as mãos incrédulas anunciam o retorno.

Peca vita di nostra gente,
peca la vita di nostro amore.
Il sogno, bambino... Il sogno!

O outono de sangue traz
azuis orvalhos sobre o amante de pó:
a mulher que dança dança o
tambor, não dança o sangue.


MAIS sobre o PACO em http://pacobernardo.110mb.com/


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Versos Íntimos

Augusto dos Anjos


Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!

EM http://www.releituras.com/aanjos_versos.asp

http://br.youtube.com/watch?v=J0rj7us5Zok

e MAIS poesias do dos Anjos: http://www.jornaldepoesia.jor.br/augusto.html


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